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...ndo
sem gritos. sem escândalos. os raios de força dos poderes obscuros rebatem, voltam e matam. não vou comemorar. mas não me importo nem um pouco. a vingança divina é a mais saborosa.
muita coisa a ser feita. o mundo começou a girar faz pouco tempo. ainda vai tomando impulso. enquanto segura firme e puxa pra trás vai mostrando que nem todo mundo sai ileso. graças a deus. sem rancores. vim ao mundo pra dar risada e seguir em frente.
o ano promete. eu cumpro. pelo menos vou tentando. aglomerando. experimentando. viajando. e aprendendo.
let's make some good art and conquer the world.
deds on the red carpet
No dia 11 de dezembro, o AXN estendeu o tapete vermelho na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, um palacete de 1922 na praia do Flamengo no Rio de Janeiro. Ali aconteceu a entrega dos prêmios do AXN Film Festival, uma competição de curta metragens para diretores de toda América Latina, e o deds foi na festa.
Dois canhões de luz na entrada do palacete iluminavam o céu carioca sem nuvens. O tapete vermelho com cerca de 20 passos de comprimento levava os convidados a um corredor cujas paredes eram iluminadas de baixo para cima com pequenos holofotes também vermelhos e os tetos seguravam quatro grandes lustres de cristal. Ali na frente estavam as mesinhas, chez, alguns sofás e um dos lugares preferidos dos convidados durante a noite, o bar. Um dos primeiros a chegar, arrumei um lugarzinho estratégico. À direita, conseguia ver quem chegava. À esquerda, observava as rodas de bate-papo. À minha frente estava o bar e ainda conseguia ver os canapés que os garçons traziam da “entrada proibida”, a cozinha.
Os convidados começaram a entrar. Um grupo de desconhecidos, os diretores brasileiros Bruno Barreto e Ricardo Elias, o ator Sérgio Marone, o músico e cineasta argentino Fito Paez, o diretor espanhol Antonio Cuandri, o diretor venezuelano Alberto Avrelo... De repente é tanta gente que já não pra acompanhar. Lá no fundo eu ouvi aquela risada escandolosa e inconfundível da Bebel, de A Grande Família. Como é que a Guta Stresser passou por mim e eu não vi? No meio da roda do pessoal que participou do curta “Balada de 2 Mocinhas de Botafogo”, vencedor do festival, ela estava com um vestidinho vinho, simples e bonitinho, falando e rindo muito. Ela era só alegria.
Enquanto jornalistas de todos os cantos da América Latina caçavam os diretores de cinema, Fernanda Motta chega de fininho. Ela usa um tomara-que-caia verdinho, salto alto mas nem tanto, unhas vermelhas e um brinco dourado grande e redondo. Gente boa, sem estrelismo, tranqüila. Fala, sorri, gesticula e mexe nos cabelos soltos sem se preocupar com a pose. Não revelou quem ganhou o Brazil’s Next Top Model, mas certeza que foi a moça de franjinha.
A entrega dos prêmios é rápida, assim como os discursos. O pessoal estava mais interessado no que viria a seguir, o pocket show acústico de Nando Reis, que tocou durante uma hora em um palquinho de 15 centímetro de altura sentado em um banquinho a um metro da platéia. Para a maioria, a festa acabou quando o Nando desligou o violão elétrico. Quem ficou para mais um drink pôde curtir o melhor da festa, que não constava no roteiro. Fito Paez sentou-se ao piano, pediu um microfone e começou a tocar para as últimas 20, 30 pessoas que ainda estavam por ali. Um show mais íntimo, só na casa dele.
Quase 2h da madrugada. O termômetro está nos trinta e poucos graus. Os canhões de luz ainda funcionam apontados para o céu estrelado, que convida para uma volta à beira mar. Mas é melhor voltar pro hotel porque daqui a poucas horas parte meu vôo para São Paulo e é dia de fechar a revista.

fotograffiti 1.2
duvido que exista alma viva nesse blog. se ainda ecoar algum grito desesperado e solitário, convido a amenizar sua dor este sábado, a partir das 19h00, no espaço eureka. não é balada, é vernissage, é coisa de artista, coisa cult. uma galera do bem estará por lá pra divulgar e fazer arte sem grandes compromissos, expectativas, anseios. fotografia, graffiti, som, arte digital, áudio-visual e performances, seja lá o que isso significa.
novotemponovo
não posso dizer que ainda tenho algum tesão por isso aqui. a correria vai comendo, devorando, destruindo qualquer intenção de juntar meia dúzia de palavras sobre o nada só para desopilar. fazer o quê? seguir em frente. não, não. não parei no tempo. pelo contrário. saí correndo pra recuperar lá no fundo do meu ser um resquício de algo que vinha definhando há muito tempo. sabe quando seres malditos sugam sua energia até o limite de sentir um nada? é um círculo vicioso que persegue a gente sob a desculpa da necessidade. ninguém precisa de nada nunca, de quase ninguém. elas fervem. as idéias fervem na mente enlouquecida que voltou a ouvir o pink noise incessante no escuro. silêncio. impossível. barulho necessário para produzir o elemento que não permite parar. é química.
inútil
sem plano, sem promessas, sem futuro. sem nada de mais porque o tempo em que essas coisas faziam algum sentido morreu e não faz muito, não. morreu cedo, mas morreu. no lugar cresceu uma proposta de fazer coisas maiores. muito maiores que tudo isso aqui. de repente, é hora de pegar o ferrinho e fechar isso aqui que já não funciona mais. ou começar de novo.
[momento tenso]
ainda existe alma viva nesse site? a vontade é grande, o tempo curto. só estou aqui porque o motivo é nobre. domingo estréia a segunda parte da última temporada de sopranos. meio mundo deve estar em contagem regresiva e se esgoelando blogs afora pelo que virá. a outra metade deve estar pouco se lixando porque já baixou ou já viu por aí. e eu? eu já vi. não baixei, não procurei e vi. semana passada rolou uma pré-estréia no fasano só para a impresa.
povinho desconhecido, ambiente chique demais e um papo legalzinho. demora, demora, demora... a3 no som. tensão. tensão. muita tensão. tony na tela. carmela na tela. bobby e janice na tela... reticências. só reticências. david chase tem, sim, um recado para o mundo nesses últimos capítulo. ele não faz rodeios, não deixa de lado, vai direto ao assunto: as pessoas não mudam.
verdade, não muda. mas pelo menos eu ganhei minha camiseta ultra-foda e exclusiva da família. hah.
[direito de escolha]
soube que o filho do jô soares é deficiente e gosta muito de ler. uma vez, os dois estavam em uma livraria e o filho tinha dois livros na mão. o pai disse para o garoto que só podia escolher um. o menino decidiu não levar nenhum. mas por que, menino? porque escolher é sempre perder.
[cadê minha bolsinha] eu disse e que volto a me prostituir na quarta? e que tenho dois livros pra terminar até o mês que vem? e que, também no sábado, eu tenho um pauta importantíssima e inadiável para um desses livros? e que a prostituição começa na quarta pra durar 45 dias ininterruptos “nesse mês”? ok, está dito.
[bh] o telefone toca. já tinha quatro anos que esse cara não me ligava. ligou hoje. “bichow, o que você vai fazer nesse final de semana?” eu digo que trabalhar, óbvio. “não dá pra adiar?” não dava, dessa vez não dava mesmo. “droga, eu queria que você fosse comigo pra belo horizonte pra fazer um trampinho besta de sexta a domingo.”
[gimme a brake] escrever é uma coisa que muito me apraz. mas alguém me explica por que tudo acontece ao mesmo tempo, por favor. e enquanto eu puder escolher, continuo ficando com tudo.
[dois]
são dois livros em produção ao mesmo tempo, fora abril, fora tv1, fora zb, fora avape, fora... chega. por enquanto chega. deds é cerebral, mas deds tem limite. neurônios começam a abobalhar. falta sinapse. falta gás.
de qualquer forma, a coisa nada meio difícil. deds só tem vida própria 15 dias por mês. os outros 15 servem para aquela velha e conhecida prostituição ecológica. sim, continuo reclamando. sim, continuo não suportando. sim, continuo eu mesmo.
alguém conhece alguém que trabalhe em novos projetos de alguma editora? se sim, caia do céu, por favor. agora, dá licença que faltam 100 páginas para escrever. e o telefone continua mudo.
[mais mudanças]
nem reclamo de tudo isso. nem reclamo de nada. a única coisa que eu reclamo, e isso desde que eu tinha uns 12 anos, é dessa necessidade física de dormir, descansar, ter que parar de vez em quando pro intestino não pifar. eu preciso de tempo.
[on the water]
porque às vezes parece que o mundo se move tão lentamente que quando a gente ver já foi. me colocaram dentro de um aquário e eu nem percebi. visões distorcidas do que ficou do lado de fora, só que é bem melhor assim. meu mundo, do meu jeito.
[vem pro pau]
nah, sem distúrbios, sem estresse, sem bobeira. não estou mais pra isso, não. acho que estou ficando velho mais rápido do que eu imaginava.
[alça vazia]
bichow, eu nem percebi. mas tinha uma alça sobrando. acho que vai fazer dois meses. só fiquei sabendo agora. eles não quiseram? não, acho que não. acho que o momento não era tão importante para eles a ponto de perceberem. lembro vagamente da cena. só que nunca foi minha função, apesar das várias vezes que estive lá. mas, quer saber, a cabeça vai longe, ia longe, pra pensar em qualquer atitude ou ter uma reflexão mais profunda. naquela situação, as coisas são como são. e se não tiver ninguém pra carregar meu caixão eu dar muita risada do além.
[the end]

em julho.
[sobre o nada, de volta]
outro dia a gente estava falando sobre sintonia. é um lance assustador, é o tipo de coisa que a gente saca no ar, vem na mente, passa pela cabeça ou acontece ao mesmo tempo com gente do outro lado do mundo sem arranjos ou combinações. é raro, mas de vez em quando eu tenho uns sonhos com gente antiga, que devia estar morta há muito tempo, como se fosse um aviso. "fulano vai voltar." "ciclano vai aparecer." "beltrano andou falando ou pensando em você." e rola sintonia, eu sei.
 tem um trampo rolando por aqui. aliás, são dois. em cada um deles tem um lance diferente no ar. em um, rola o medo do lado de lá que me dá nos nervos. no outro, rola uma defensiva que eu estou pouco me fodendo. é coisa que a gente saca no ar. e no meio do todo, rola um clima de vou atropelar antes que nego me atropele. não é coisa ruim, mas enche o saco. é como acordar no meio de um sono sossegado e tranqüilo porque você acha que ouviu algum barulho e não conseguir dormir o resto da noite imaginando o que foi aquilo. é tenso. estraga o dia. estraga a vida.
 "a gente perde mais tempo por decisões não tomadas do que por decisões erradas." filosofia. faz um tempo que eu cansei de certas brigas. acho que fiquei velho de repente. é melhor pisar em cima e mandar recolher os cacos do que ficar pensando em como desviar e não fazer nada. pisou, quebrou, recolheu, joga fora. até rola de consertar. mas nem sempre é assim.
p.a.p.a.
e o papa veio. e eu fui para guarulhos. não, nada a ver com o papa. tudo a ver com trabalho. eu não saio da minha rotina cama-banho-cozinha-trabalho-cozinha-banho-cama há vários dias. mas o papa veio e o divino me mandou pra rua. alguém me responde. se o cara é santo, por que instalou o inferno na cidade?
[sábia decisão] não me lembro há quanto tempo que em todo evento maiorzinho de cunho social e/ou cultural que compareço e convidam os meninos do morumbi para fazer um batuque e tal. olha só quanta diferença. para o papa vão mandar a molecada do heliópolis que aprendeu a tocar com o povo da orquestra do baccarelli. sorte do bento. é nóis.
[compras] será que ele vai dar uma escapadinha até a galeria pajé? é só descer a ladeira, caceta.
[quotes divinas da vida real]
burnier na globo: como foi ver o papa de perto? senhoura na tv: aimm, dói até o coração da gente.
jovens emocionados: bentô, bentô! [palmas compassadas] bentô, bentô! [palmas compassadas]
jp 2º, no arquivo da globo: se deus é brasileiro, o papa é carioca.
deds: já pagou a promessa de não beber por dois meses? ale: não, mas eu to bebendo semana sim, semana não. deds: certo, o importante é pagar a promessa, mas nem que seja a prazo.
ps. aí rapaziada que apareceu aqui em casa, valeu a presença e voltem sempre, sempre com cerveja, vodca, vinho ou algum líquido alcoólico.
28, lua cheia, qunta-feira
Nada de mais. Nada mudou. Mais um, menos um. A diferença é a referência. Pode me chamar de apenas um outro velho rabugento com cada vez menos senso de humor. Não quero nada. Quero sossego. Quero meu canto sem falsas promessas, sem mentiras e sem pseudo-verdades. Disso eu me livrei e faço questão de não voltar atrás. Quero minhas coisas do jeito que são, sem ninguém meter o dedo, dar opinião que não foi pedida e ainda conseguir me ensinar algo mais. Queria ter mais tempo para deixar passar, para jogar conversa fora, para fazer nada na frente da tv sem me preocupar com essa ou aquela conta para pagar. Não queria nada de mais. Não preciso de nada de mais.
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