deds on the red carpet
Dois canhões de luz na entrada do palacete iluminavam o céu carioca sem nuvens. O tapete vermelho com cerca de 20 passos de comprimento levava os convidados a um corredor cujas paredes eram iluminadas de baixo para cima com pequenos holofotes também vermelhos e os tetos seguravam quatro grandes lustres de cristal. Ali na frente estavam as mesinhas, chez, alguns sofás e um dos lugares preferidos dos convidados durante a noite, o bar. Um dos primeiros a chegar, arrumei um lugarzinho estratégico. À direita, conseguia ver quem chegava. À esquerda, observava as rodas de bate-papo. À minha frente estava o bar e ainda conseguia ver os canapés que os garçons traziam da “entrada proibida”, a cozinha.
Os convidados começaram a entrar. Um grupo de desconhecidos, os diretores brasileiros Bruno Barreto e Ricardo Elias, o ator Sérgio Marone, o músico e cineasta argentino Fito Paez, o diretor espanhol Antonio Cuandri, o diretor venezuelano Alberto Avrelo... De repente é tanta gente que já não pra acompanhar. Lá no fundo eu ouvi aquela risada escandolosa e inconfundível da Bebel, de A Grande Família. Como é que a Guta Stresser passou por mim e eu não vi? No meio da roda do pessoal que participou do curta “Balada de 2 Mocinhas de Botafogo”, vencedor do festival, ela estava com um vestidinho vinho, simples e bonitinho, falando e rindo muito. Ela era só alegria.
Enquanto jornalistas de todos os cantos da América Latina caçavam os diretores de cinema, Fernanda Motta chega de fininho. Ela usa um tomara-que-caia verdinho, salto alto mas nem tanto, unhas vermelhas e um brinco dourado grande e redondo. Gente boa, sem estrelismo, tranqüila. Fala, sorri, gesticula e mexe nos cabelos soltos sem se preocupar com a pose. Não revelou quem ganhou o Brazil’s Next Top Model, mas certeza que foi a moça de franjinha.
A entrega dos prêmios é rápida, assim como os discursos. O pessoal estava mais interessado no que viria a seguir, o pocket show acústico de Nando Reis, que tocou durante uma hora em um palquinho de 15 centímetro de altura sentado em um banquinho a um metro da platéia. Para a maioria, a festa acabou quando o Nando desligou o violão elétrico. Quem ficou para mais um drink pôde curtir o melhor da festa, que não constava no roteiro. Fito Paez sentou-se ao piano, pediu um microfone e começou a tocar para as últimas 20, 30 pessoas que ainda estavam por ali. Um show mais íntimo, só na casa dele.
Quase 2h da madrugada. O termômetro está nos trinta e poucos graus. Os canhões de luz ainda funcionam apontados para o céu estrelado, que convida para uma volta à beira mar. Mas é melhor voltar pro hotel porque daqui a poucas horas parte meu vôo para São Paulo e é dia de fechar a revista.

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