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20 de out. de 2006

verborrágico

o mundo pára ao meu redor e tenta me dizer que não adianta. não adianta que o mundo é como é que nada do que fizer vai fazer ser diferente. uma bondade qualquer é pisoteada pelo olhar fulminante do serzinho que se sente rejeitado ou menosprezado ou excluído ou incapacitado ou sei lá o quê. que se dane você, serzinho de coração impuro. que venha pra cima porque eu sei o tamanho do muro e não fico lá no alto vendo que pode acontecer.

“perde-se mais por indecisão do que por decisões erradas.”

vai ficando, vai pensando, vai tentando. o preço é caro e não está na etiqueta. o mundo anda. morra com suas palavras caladas e dentes cerrados e língua perigosa. deixa a sombra tomar conta.

acho que foi o tempo das palavras de baixo calão, do jeitinho de moleque folgado, escrotinho, capaz de dar porrada, quebrar os dentes do maluco e sair correndo. foi nada. cada um à sua maneira. fica aí, serzinho minúsculo, ruminando seus sentimentos impuros. vai morrer engasgado à espera de uma bicuda do lado esquerdo do peito com as costelas torcidas à imagem e semelhança do velho moribundo que não retornou do coma e chega ao caixão pelas mãos sensíveis do moço de branco interessado em mais um tostão. mais a atropina. um, dois, três, respira. mais atropina. um, dois, três, respira. mais atropina. um, dois, três, respira. morreu.

e que a paz do senhor esteja com todos vocês.

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