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22 de jul. de 2006

aê, malandragi

eu já devia ter me acostumado. uma vez eu estava chegando no trabalho e, a umas duas quadras do lugar, vi a polícia dar um geral num primo. só vi de longe. justificaram que ele estava agindo de forma suspeita ao sentar no banco da praça pra tirar um cochilo depois do almoço. eu tinha uns 14 anos e era um jovem entrando no mercado de trabalho numa gráfica da moóca, um bairro do tipo “orra meu” aqui de são paulo. meu primo só falou uma meia dúzia de merda e esqueceu. eu nem liguei. naquela época já tinha sido enquadrado duas vezes por segurança de shopping e arranjado algumas encrencas por ter cara e jeito de moleque sujinho. sabe, do tipo que rouba doce de supermercado embaixo da camiseta.

já vi gente atravessando a rua lá na frente, desviando caminho, olhando de canto, apressando o passo, segurança recebendo ordem pelo rádio pra ficar de olho no moleque de jaqueta jeans e calça rasgada, funcionário de mercado pedindo pra eu colocar a mochila no saco de plásticos enquanto outras vinte pessoas engomadinhas passam sem ouvir nenhum comentário sobre suas mochilas, bolsas e etcs, polícia federal perguntar se eu era um imigrante ilegal na dinamarca... normal, pra mim, tudo normal.

normal porque eu estou sempre pouco me fodendo para o quê esse bando de cagões podem imaginar a meu respeito. todo mundo tem o direito de falar, imaginar e fazer o que quiser. que se fodam. não tenho nada a ver com isso. agora, neguinho sair falando que eu sou bandido, ladrão, surrupiador... sem nenhum respeito, vão à puta que os pariu porque eu tenho coisa mais útil para fazer e viver.

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