raios que nos partam
outro dia eu estava escaneando umas fotos das bodas de ouro do meu avô, que morreu ano passado. era 1984. eu tinha cinco anos. um pivetinho de cabelo tijela e pernas tortas. eu casei naquela mesma igreja. meus pais também. provavelmente, minhas irmãs também casarão. é engraçado ver, e perceber, como o tempo passa sem a gente se dar tanta conta assim. de repente, a gente se vê negociando um bem material de cem mil reais como se fosse uma figurinha ou gibi velho e se assusta porque muita coisa da tua vida pode depender disso. tua vida, provavelmente, já depende de muita coisa que não faz o menor sentido no meio da correria insana de cada dia. e a gente precisa sobreviver.
profecia, horóscopo, numerologia, visões, predições, leituras da alma... pau no cu de todo mundo porque ninguém é capaz de prever o que mais importa. e, se for, o que importa? é inevitável. e depois de velho todo mundo vai ficar com o rabo ardendo, imaginando que o tempo passou, que a casca enrugou e que a gente não se sente tão velho assim. mas que raios é isso? que raios que o partam? acontece, simplesmente acontece. e ninguém pode fazer nada a não a ser a gente mesmo.
eu quero mais é ter culhão pra bater o pé e seguir o meu caminho porque eu sei que deus existe e só peru morre de véspera. enquanto a vida segue, eu quero mais é me divertir, porra.
0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial