capote
Quanto vale, para você, alcançar seu objetivo? Aqui, somos todos contadores de histórias. Jornalistas ou assessores de imprensa, nosso trabalho é contar direitinho a história que apuramos com nossas fontes ou nossos clientes. Para os jornalistas, o lema deve ser a verdade acima de tudo. Para os assessores, se não é, também deveria ser. A verdade sobrepõe-se qualquer intenção inventiva e malcriada e conquista o leitor (e outros jornalistas) pela forma com a qual é contada. Não é só escrever bem, seja uma nota, uma reportagem ou release. É contar uma boa história.
Truman Capote era uma bichona afetada, egocentrista, o centro das atenções por onde passava. Ele gostava disso. Ele vivia para isso. Era o que era pela forma e pelo conteúdo do que fazia. Seus livros convenciam, seduziam, vendiam. Coloque os três verbos no presente e continuamos falando a verdade. Haveria algum segredo marqueteiro por trás de seu sucesso? Quem se importa? Ele sabia seduzir, conquistar e contar as histórias guardadas no fundo de suas fontes.
O filme, que acabou de levar o Oscar de melhor ator (para Philip Seymour Hoffman), conta a história do último livro publicado por Capote, “A Sangue Frio”. Uma pequena nota no jornal sobre o assassinato de uma família no interior do Kansas chama a atenção de Capote. Ele liga para seu editor e diz que quer fazer uma reportagem. Com sua amiga e pesquisadora Nelle harper Lee [Catherine Keener], viaja até a cidade do crime, conhece os habitantes, extrai de todos as informações que precisa para contar sua história. Ele conhece os assassinos confessos, presos em outra cidade alguns dias depois. Uma reportagem? É pouco. Ele quer fazer um livro.
Truman Capote se apaixona por um dos criminosos, ou por sua história de vida. Ele se aproxima, ajuda, arruma novo advogado, faz visitas na prisão e segue colhendo as peças. Sob mentiras e possíveis verdades, vasculha as histórias contadas pelo criminoso para chegar à verdade.
Pena de morte por enforcamento. Após quatro anos, eles são condenados em última instância. Capote precisava de um final para seu livro. O livro com a história pela qual ele se apaixonou, se envolveu, lutou consigo mesmo para conseguir se afastar e, depois, para se aproximar. O final é o esperado, é o justo. Mas é a história de Truman Capote que esse filme conta. O assassinato e os criminosos pouco importam. É sobre a capacidade de se apaixonar por uma história, se envolver e manter-se “sóbrio” (ou não) que realmente importa.
Você é capaz de viver apenas e absolutamente pela verdade mesmo que ela te machuque, te marque, para o resto de sua vida? Truman Capote conseguiu o que queria, uma história bem contada. E, sozinho, pagou o preço por alcançar seu objetivo, mas não conseguiu ludibriar a sua verdade.
“More tears are shed over answered prayers than unanswered ones."
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