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1 de mar. de 2006

brokeback mountain

2006. século xxi. o mundo é moderninho e uma pá de gente ainda tapa os olhos com medo de que sua consciência moral o condene. não vejo um porquê razoável de terem criado tanta expectativa e levantado tanta purpurina por causa de um filme que nem é tão chocante assim. ou eu é que sou insensível?
não sei, respondam.

eu não quis sair lendo críticas, comentários, resenhas publicadas em sites, jornais e revistas porque os títulos e linhas finas pareciam dizer tudo ou, pelo menos, muito. vi um monte de gente na defensiva – machos, é claro – dizendo por aí algo do tipo “cuidado se te chamarem de cowboy”, ou “é nojento”, ou “bicha demais pro meu gosto”... homofobia e contragostos à parte, brokeback mountain só está na disputa pelo oscar por bater de frente com o puritanismo americano.

amantes do filme, podem me xingar. mas o roteiro é fraco, a história é batida e a trilha é razoável. os três adjetivos ganham tamanho e preenchem espaço porque ang lee sabia muito bem o que fazia. está mais para um oriental calculista do que um babaca romântico à lá meg ryan. tudo é muito bem calculado, como não pode deixar de ser. a malemolência da primeira metade caracteriza muito bem o estilo de vida de ennis del mar [heath ledger], o protagonista. um cara tosco, devagar pra própria vida, que só acorda quando abrem os olhos por ele, que só pensa quando o medo (ou a culpa) começa a bater mais forte. é também quando o filme parece que vai ficar interessante. mas não fica, pelo menos pra gente chata como eu. entra em ação a velha fórmula romântica das fitas de amor proibido. a diferença, que não é pouca e nem pequena, é que trata-se de dois machos da espécie dos cowboys, categoria mais gaúcha dos padrões americanos. e o que é aquele sotaque de boi no pasto?

as mulheres do filme estão perfeitas como mulheres de cowboy, coisa pouco bem mostrada nos filmes do gênero "sobre cavalos". elas são o público, reagem como o público no susto, na revolta, no inconformismo que se abate sobre o senso comum. mas se tiverem que prestar atenção em alguém, fiquem com alma junior [kate mara]. gostei muito da alma junior. ela é o público que ang lee gostaria que todos fossem. ela observa tudo. parece que sabe de tudo e não diz uma palavra porque, na verdade, não importa. cada um é o que é. no final, sempre vai um bom trago pra comemorar porque cada um toca sua vida do jeito que deve para tentar ser feliz sem se preocupar se vai dar lobisomem ou jacaré.

e o que fica é a história de amor, porque todo o resto vira jogada de marketing. por isso mesmo a fita é batida, velha, tão chata que dá sono. mas há quem goste. pra vocês, bom filme.

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