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29 de dez. de 2005

broken flowers

bill murray é o tipo de ator que eu sempre gostei de gostar. está sempre fazendo um daqueles tipos palhaços, bobos e meio que nada a ver, porque ninguém conseguiria fazer piada o tempo todo sobre todas as coisas em qualquer situação que fosse. quer dizer, até conseguiria, mas não é tão fácil assim. do currículo do bill eu listaria tootsie, ghostbusters, os fantasmas contra atacam, não tenho troco, nosso querido bob, feitiço do tempo, lost in translation, broken flowers. por alguns motivos, desses eu gostei muito. o último, broken flowers, está em cartaz. não é um marco na carreira do bill, mas é interessante.

um marco, mesmo, foi lost in translation, que tirou uma lagriminha de meninas e mulheres e gerou a “escrevescência” de alguns posts cor-de-rosa. o filme é da sofia coppola, mas o lance é quase todo com o bill murray, que coloca aquela cara de cão pasmando para interpretar o coração melancólico de bob harris. cadê o bill que todo mundo conhece? ali não estava, mesmo. só que a surpresa em deixar as piadas e as bobeiras necessárias foi tão boa que entregou de bandeja boa parte da brincadeira de lost in translation nas mãos da scarlett joahnsson. claro, sofia coppola tem sua culpa. mas a questão aqui é que bill murray parece gostar desse ar melancólico e introspectivo exibido descaradamente em broken flowers. talvez fosse abuso, mas dá pra dizer que o personagem de bill murray nesta nova fita é uma evolução de bob harris com quatro mulheres belas e maduras no lugar de scarlett joahnsson.

em broken flowers, bill murray é don johnston, um cara que ficou rico trabalhando com computadores, aproveitou a vida como achou que devia e, agora, velho com os cabelos brancos e uma bela casa num subúrbio americano, é abandonado por sherry [julie delpy], sua última namorada. só que don recebe uma carta anônima, supostamente enviada por uma ex-namorada, dizendo que ele tem um filho de 19 anos e que, provavelmente, foi à sua procura. com o empurrãozinho de seu vizinho e amigo winston [jeffey wright], ele vai atrás de cinco mulheres do seu passado: laura [sharon stone], dora [frances conroy], carmen [jessica lange], penny [tilda swinton] e a última, que mora no cemitério. a melacolia rola solta durante as quase duas horas de fita. não é o tipo de filme que tira uma lágrima ou deixa o expectador sair do cinema satisfeito. o fulano que pagou pra ver pode até não ficar tão contente com o resultado, mas se for esperto e estiver a fim de juntar os pontos é capaz de chegar á conclusão de uma das melhores quotes do filme: “well, the past is gone, i know that. the future isn't here yet, whatever it's going to be. so, all there is, is this. the present. that's it”.

broken flowers foi escrito, produzido e dirigido por jim jiarmsuch, que também assina permanent vacation, stranger in paradise, down by law, dead man e coffe and cigarrets.

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