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27 de out. de 2005

blasfêmia.

quente, muito quente. irrespirável. tudo que se sente, se cheira, é o suor. o seu e o de todo mundo à sua volta. dizem que a culpa é de deus. tanto faz. quem se importa? as pessoas não cheiram mais. fedem. os bebedores secaram, os rios tem mais merda que o intestino e refrigerantes só dão mais sede. resta cerveja e destilados. o cenário é, também, óbvio. milhares de mortos que evoluíram do coma alcoólico à morte cerebral, afinal, é melhor um alcoólico limpo do que a água suja. vômitos pelas ruas, calçadas, quintais, dentro de casa e no balcão dos bares. os sobreviventes, se não estivessem tão bêbados, fundariam uma nova comunidade estabelecendo o padrão de vida pós-contemporâneo até que a última gota de álcool produzido secasse e a abstinência tomasse conta para uns matarem os outros pela vontade divina. sem banho limpo, sem eletrônico algum que funcione. só o que resta é o bafo quente do calor sem vento e o vapor nauseante dos vômitos que escorrem na sarjeta como um córrego do que restou da humanidade.

estupidez, eu devia deixar meus dedos quietos, isso sim.

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