ela s� acordou no hospital. desmaiou de repente. ligaram pro marido que foi correndo. passou dois dias dormindo. um monte de testes e descobriram. a doen�a com um nome estranho. aos poucos, os m�sculos param de obedecer. o c�rebro n�o comanda mais. tudo fica duro, r�gido, im�vel. mas n�o se preocupe, isso n�o acontece da noite pro dia. foi o que o m�dico disse. o que os m�dicos disseram. voltou pra casa. no dia seguinte. aconteceu de novo. melhor ficar internada. foi o que disseram dessa vez. um, dois, tr�s dias. um m�s. a perna ficou pesada. depois os bra�os. em seis meses ela n�o falava mais. n�o conseguia falar. nenhum m�sculo obedece. nenhum, n�o. os olhos. os olhos se mexem. ela passa o dia, a noite, olhando o teto. antes ainda prestava aten��o ao povo que anda pra l� e pra c� do seu lado. agora s� olha pro teto e ouve uma coisa ou outra que lhe interesse. o marido, que passava horas ao seu lado, s� vem de vez em quando. fica dez minutos e some. � um sacana. passa o resto do dia atr�s das enfermeiras. e ela presa dentro dela esperando os olhos pararem de funcionar. ou a morte chegar.
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