�as horas�. o filme � bom. muito bom. nicole kidman est� irreconhec�vel, julianne moore est� bem convincente e meryl streep � meryl streep. a hist�ria � perfeitamente bem contada com v�rias lacunas que n�o precisam ser ditas e nem descritas. e cada vez eu gosto mais do estilo anti-hollywoodiano de contar hist�rias sem deixar de lado o arroz e feij�o da f�rmula.
pra variar, as sinopses s�o um lixo. �tr�s mulheres vivendo tr�s hist�rias em tr�s tempos diferentes�. � rid�culo, simpl�rio e errado. eu escreveria apenas que � a hist�ria de como virg�nia woolf pariu sua �ltima hist�ria antes de terminar a sua pr�pria hist�ria. � poss�vel que as mentes s�s n�o entendam, ou prefiram um mentirinha que as leve a um bom filme (o que vale � a pipoca e ter o que dizer depois do feriado, n�).
o filme conta a hist�ria de virg�nia woolf. uma mulher moderninha pra sua �poca, vision�ria (at�) para a nossa �poca e completamente insana para todas as �pocas. uma insanidade que trazia raz�o e revolu��o com todo tipo de sentimento que uma mulher - na verdade qualquer pessoa, acredito eu - castrada pela sociedade possa expressar ciente (ou n�o) do que faz. e a express�o n�o poderia ser outra se n�o as letras. � que a irm� j� usava e abusava do pincel e ela n�o poderia fazer igual. n�o, claro que n�o. e as outras artes s�o pra gente com vida social ativa ou quase isso. mas ela poderia descrever um mundo que ainda n�o existia t�o explicitamente, como uma esp�cie profeta cruazando o deserto para alcan�ar o pr�prio cora��o. quase in�til.
n�o bastasse o filme classudo, o �extras� do dvd traz um document�rio sobre a pr�pria virg�nia woolf. s� vendo os depoimentos de gente que conheceu a mo�a ou estudou afundo sua vida, seu trabalho e seus problemas pra sacar as lacunas propositais do filme. e como gente lac�nica me impressiona. chega a ser impressionante.
apesar de toda sanidade ser manifesta na sua loucura e estar enrustida no seu sil�ncio ao escrever, virg�nia woolf foi entendida pelo seu marido. n�o completa ou corretamente, mas o suficiente para ele desistir em parte da vida e construir um mundo onde pudesse dividir sua virg�nia com ela mesma. e ela s� deixou a carta agradecendo porque entendeu isso muito bem.
entrar no rio com pedras nos bolsos � o �pice da crueldade consciente da autodestrui��o. (ela sabia nadar.) mas � o fim perfeito para qualquer romance assinado por ela ou para uma biografia de sucesso do s�culo xxi. um fim descrito nas entrelinhas do seu �ltimo trabalho que mentes s�s talvez n�o consigam decifrar, como fazem com telenovelas.
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