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22 de jan. de 2004

despejo: 300 x 4 = 1200

ontem, a not�cia no jornal - nos jornais - era que o pr�dio invadido a mais tempo pelos sem-teto de s�o paulo estava vazio de novo. a not�cia dizia que 300 fam�lias foram despejadas.

deu uma certa saudade. a primeira vez que eu entrei naquele pr�dio, que o povo de l� chama de ana cintra (porque fica na esquina da s�o jo�o com a ana cintra ali na santa cec�lia, ao lado da pra�a da rep�blica) estava um pouco ..... assustado n�o � bem a palavra. talvez apreensivo. a porta era gigante, pesada. entrei. o sagu�o era como esses da novelinha do �um s� cora��o�. tudo em m�rmore. tudo antigo. tudo muito grandioso. s� que tudo muito sujo, mal cheiroso e escuro. era poss�vel sentir o cheiro de p�, de mofo e at� um pouco de urina vindo alguns cantos.

subi uma escadinha escura at� o primeiro andar. virei � direita e fui at� o fim do corredor. a campainha n�o funcionava. bati na porta. sem frestas e sem medo. a porta escancarou e uma mulher falando alto mandou entrar, sentar e esperar. �a joana t� l� dentro fazendo uma baguuuun�a.....� joana d�arc kroll � o nome da filhinha, na �poca com um ano, da ver�nica kroll. ver�nica � uma mulher de ra�a. loira, olhos azuis, boca e l�bios pequenos e uma hist�ria que beira a fic��o. mas essas hist�ria eu conto depois.

eu passei duas horas l� dentro ouvindo hist�rias e mais hist�rias de ocupa��es de pr�dios vazios, abandonados, em decad�ncia h� varias d�cadas. conheci a ver�nica, uma amiga dela e a dona olga, uma senhora chilena com um cora��o maior que o mundo inteiro junto e uma intelig�ncia capaz de sacar coisas atr�s das paredes mais grossas.

um m�s depois, eu conhecia metade das fam�lias que moravam ali e participava das reuni�es mensais que aconteciam na garagem do pr�dio sobre os pr�ximos passos do movimentos dos sem-teto de s�o paulo.

sobre as fam�lias despejadas, a prefeitura prometeu 300 reais para cobrir gastos com hospedagem.

ps..: a pausa na semana gis de literatura se fez necess�ria. amanh� voltamos com os textos da mo�a.

ps.2: n�o se acostumem, os coment�rios s�o tempor�rios.

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