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5 de dez. de 2003

aventuras urbanas de gente que a gente nem imagina

era mar�o de 2000. n�o lembro como eu consegui o telefone daquele cara. s� lembro que eu liguei e marquei �s 8h00 da manh� de um domingo no escrit�rio dele ali perto da pra�a da s�, centr�o de s�o paulo.

cheguei uns 15 minutos antes. era a maior bocada. gente dormindo pelos cantos da rua, o ch�o de paralelep�pedo todo molhado � ou mijado. e o pr�dio parecia abandonado. N�o tinha janelas ou qualquer sinal de vida, a n�o ser por uma faixa com escritos em vermelho. a entrada era uma porta grande, gigantesca e gelada de ferro e alum�nio. bati. o porteiro abriu um janelinha quadrada no meio da porta. expliquei. �ele n�o t�. espera a� que daqui a pouco ele chega.� e fechou a janelinha.

quando o cara chegou. o porteiro liberou minha entrada e me indicou o caminho. o cheiro de mofo e urina predominava em todo ambiente. esse ar pesado, quase irrespir�vel pra quem tem 32 dentes. a luz amarela fraquinha quase n�o iluminava os corredores. atr�s de cada cortina feita com saco de lixo ou pano velo tinha tr�s ou quatro fam�lias amontoadas.

subi as escadas e dei de cara a �nica sala de luz acesa. um cara muito grande e gordo estava na porta. todo simp�tico ele pediu pra eu entrar. a sala tinha uns 2 metros de largura por 4 de comprimento. a janela estava fechada. as paredes brancas manchadas e com v�rios cartazes vermelho chamando para a �luta� predominavam. atr�s da mesa no centro da sala estava meu entrevistado. o nome dele � geg�. � um baiano roli�o, carrancudo, baixo, muito forte, de �culos fundos, voz grossa e boina de reggae na cabe�a.

depois de 30 minutos de conversa, um cara irrompeu pela porta intimando o geg�. com toda educa��o que uma manh� de domingo pode exigir, meu amigo baiano pediu para o cidad�o se retirar. o cara n�o obedeceu e encostou numa canto da sala. ele era grande, folgado e n�o estava ali pra brincadeira. �voc� pode me dar licen�a que eu estou numa entrevista?� o cara n�o deu a m�nima. geg� cruzou os bra�os e ficou im�vel olhando pra frente. depois de dois minutos, o invasor disparou gestos, improp�rios e amea�as contra o homenzinho carrancudo atr�s da mesa. geg� se levantou e pediu uma �ltima vez. sem resposta, ele s� olhou pro grand�o na porta do escrit�rio. o gigante entrou, pegou o fulano pelos bra�os com a facilidade que eu pego uma caneta e levou pra longe. o cara gritou, esperneou, amea�ou e desapareceu pelos corredores escuros do pr�dio com cheiro de mofo. geg� pediu mil desculpas e a conversa terminou numa boa.

ouvi toda hist�ria de como o ele veio da bahia, que � irm�o do chico c�sar, como foi parar no movimento e o que ele pensa sobre o assunto. assim terminou minha primeira experi�ncia com os sem-teto de s�o paulo, que duraria mais dois anos de reuni�es, passeatas, hist�rias, muita gente interessante, fotos e at� algumas ocupa��es a pr�dios abandonados.

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