eu nunca tive muito tato para tratar as pessoas. sempre tive a sinceridade � flor da pele e sempre usei de um sexto sentido chamado de �ir com a cara dos outros� para selecionar companhias e amizades. n�o d� pra explicar. eu sou capaz de n�o ir com a sua cara at� pela internet. n�o venha me dizer que trata-se de pura pr�-conceito. n�o �. � gosto. � afinidade. � coisa sentida pelo cheiro. puro feeling, diriam os americanos.
n�o tenho mania de ignorar ningu�m. respondo que sim e que n�o. se precisar digo na cara se gosto, n�o gosto ou se estou pouco me lixando. na maioria das vezes nem digo nada. ignorar s� em �ltimo caso e como leg�tima defesa. na faculdade tinha uma professora que me usava como term�metro. ela olhava pra minha cara pra saber o que eu achava do que ela estava falando. �voc� n�o precisa dizer nada, j� entendi�, ela dizia. mas tem gente que n�o � t�o esperta, que gosta de ouvir, ou precisa ouvir, ou merece ouvir.
no dia que apresentei meu trabalho de conclus�o de curso (tcc), levei pra faculdade, al�m de amigos, parentes e ex-professores, um �nibus cheio de gente do movimento sem-teto de s�o paulo. (do trabalho eu falo outro dia, me cobrem, por favor.) depois de ouvir todos os coment�rios e minha nota, tirei um papelzinho do bolso e comecei um discurso. acho que foi meu �ltimo discurso. enfiei o dedo na cara e no olho de meio mundo ainda fiz uma galera chorar. inacredit�vel. n�o era nada que eu j� n�o tinha dito antes ou que aquele povo n�o soubesse que eu pensava. mas l� estavam eles. alguns professores encabulados, outros se mordendo de raiva e umas vintes pessoas se desfazendo em l�grimas. levantei a cabe�a, desci do p�lpito e voltei ao meu lugar como se nada tivesse acontecido.
ps.: acho que todo mundo deveria ser assim mais vezes. inclusive eu. e o t�tulo n�o era para ser entendidomesmo.
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