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28 de nov. de 2003

p�s, meus queridos p�s, que me ag�entam o dia inteiro

domingo eu apareci na casa da dona lightsea, vulgo minha m�e, e, pra variar, haviam duas caixas, uma sacola e um punhado de tranqueiras minhas separadas aguardando o desfecho do meu despejo. dei um olhada no que tinha nas caixas: pap�is, revistas, pap�is, livros, pap�is. quase todos os pap�is foram pro lixo, mesmo assim ainda sobraram toneladas de revistas e outras coisas nas caixas, que ficaram por ali mesmo aguardando minha pr�xima visita.

o que levei embora foi a sacola de roupa. no fundo, debaixo de tudo, eles estavam l�, meus coturnos do ex�rcito (de verdade). fazia muito tempo que eu n�o dava de cara com eles. acho que a �ltima vez eu coloquei essa tranqueiras nos p�s eu tinha uns dezesseis anos, dezessete no m�ximo.

nessa �poca, eu era um molequinho franzino, metido a valent�o que nunca matou nem uma mosca e j� vivia peitando todo mundo. muita gente j� me chamava de deds - pra voc�s verem que eu n�o sou fruto da internerd. foi por essa �poca, ou logo depois, que eu e a gis.1 come�amos a namorar, mas isso n�o vem ao caso.

como estava dizendo, nessa �poca, com todo meu tamanho e bi�tipo m�sculo, eu me metia a andar por a� de cal�a camuflada, coturno, uma camiseta velha qualquer, uma jaqueta camuflada e um bon�, claro. eu j� n�o penteava o cabelo, o que sempre me deixou com um ar de outsider.

ainda nessa �poca, eu andava com a pior turma da escola. um bando de retardado que n�o tinha nada o que fazer e vivia jogando rpg, fumando, repetindo de ano e dando risada do nada. eu s� participava da �ltima parte por quest�es morais. esse neg�cio de ser igual a todo mundo sempre me causou urtic�ria. acho que se eu andasse com um bando certinho, cdf e idiotas tudo o que eu faria seria jogar rpg, fumar e repetir de ano. enfim...

no final do segundo ano, j� n�o encontrava mais meus caros colegas pelos corredores do col�gio. aos poucos, aquele bando de retardado foi sendo expulso, jubilado caindo fora at� que fiquei s� eu. no meio do terceiro eu era o �nico retardado no meio de um monte de arrumadinhos e perfumadas. no primeiro dia depois das f�rias de julho, eu entrei na sala, olhei pra aquele monte de caras bestas e barbas feitas, dei meia volta, passei na secretaria e pedi transfer�ncia pra noite. � que eu trabalhava de tarde, o que me possibilitava estudar no per�odo matutino. foi exatamente assim.

a� tudo mudou. terminei meu colegial t�cnico em publicidade depois de brigar com dois viados, fazer amizade com outro retardado que cheirava e fumava mais que qualquer um que eu j� conheci e permanecia s�brio e que ajudou a manter minha moral elevada. depois disso, acho que nunca mais coloquei meu coturno, que neste exato momento mata a saudade da cultura de fungos que vive nos meus p�s.

ouvindo: night swimming, do rem, porque eu acho legal

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