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4 de set. de 2003

Sobre Estranhos no Para�so

Voc� chega na varanda. Vento no corpo, o sol um pouco longe pra bater na cara, umidade de ver�o, ar cheirando a grama molhada, uns insetos pra desmistificar a paisagem e um mundo d'�gua na sua frente. Rio ou mar. � um dia todo pela frente, e poderia ser o resto da sua vida. Calmo e lento feito o vento. Por um momento voc� queria que fosse pra sempre, voc� parado ali na varanda. Vento e �gua e cheiro de mato e todas essas coisas. Mas n�o adianta esperar demais. N�o h� nada de urgente, nada de extraordin�rio que exija sua presen�a dentro da casa. Mas voc� sabe que vai ter que entrar. Em poucos minutos, por t�dio ou distra��o. E quando voltar pra varanda, no mesmo dia ou no outro, vai estar mais escuro, ou vai estar mais claro, ou o vento n�o estar� mais soprando daquele jeito. A� � uma merda. Uma sensa��o de merda. Que voc� n�o consegue nem segurar o momento.

ouvindo: Turn Turn Turn, The Byrds. (a m�sica que diz que h� um tempo pra cada coisa.)

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