h� um bom tempo eu tinha pensado em um monte de livros que precisava encontrar, comprar e ler. coisas de sebo. e quase todos s�o daqueles que n�o se encontra em qualquer lugar. acontece que a dev�tchca scully ressuscitou um deles do fundo do meu ser. comprei a briga. liguei pra pelo menos dez sebos e nada. ningu�m tinha nem not�cia do livro. l� pelo 11�/12� ......
cara do sebo: n�s temos.
deds: tem certeza? quanto �? separa pra mim?
beleza. o lugar fechava �s 19h. l� pelas 18h, arranjei um carro da reda��o e fui. em meia hora dava pra ir e voltar sem neuras. s� que a duas quadras do tal sebo, deds foi cruzar uma ruazinha na vila ol�mpia e........ BLUMMMMMM. um momento de idiotice e distra��o pura me impediu de enxergar a placa indicando m�o dupla.
olhei pra esquerda, n�o vinha ningu�m, eu fui. no meio da rua s� escutei o grunhido de um pneu cantando alto e senti a porrada. o t�xi n�o conseguiu brecar a tempo e entrou na porta do passageiro. olhei pra direita e l� estava ele, um tiozinho taxista olhando pra mim e balan�ando a cabe�a. ferrou. vou apanhar at� morrer.
o tiozinho saiu do carro com uma cara de choro que s� vendo. ele n�o conseguia terminar uma frase "como � que isso foi...", "justa agora que eu tav.....", "justo hoje que eu ......"
deds: calma, senhor taxista, calma que eu resolvo.
o meu carro s� amassou a porta e o p�ra-lama, menos mal. o dele, arregassou a frente e estourou a mangueira d��gua. no way.
enquanto eu tentava me acertar com a mulher da seguradora pelo telefone, o tiozinho foi desabafando pro intermin�vel deds:
tiozinho: eu sei que isso acontece, � normal. o problema � que eu t� devendo oito meses de aluguel e ainda me acontece isso. e justo hoje que eu ia chegar mais cedo em casa. � que eu tenho seis cachorros. eu sempre chego em casa l� pelas 22h. hoje eu queria chegar umas 19h, dar comida pros cachorros e descansar um pouco. tsc tsc.
ele balan�ava a cabe�a, tirava e colocava aquele �culos antigo de aro grosso, esfregava a cara e o bigodinho de taxista sem parar. e se lamentava. eu fui me sentindo p�ssimo. um bosta. n�o bastava bater, tinha que ser num cara ferrado.
enfim, resolvi a parada por telefone e, morrendo de d�, larguei o tiozinho na rua esperando um guincho pra levar o carro dele e fui ao encontro do meu livro.
19h. em cima da hora. sebo de boy. n�o tinha nada daquela poeira sadia e das tra�as inteligentes de tanto devorar livros e mais livros. nem cheiro de livro velho tinha. tudo muito limpinho. uma distinta senhoura largou no canto outra distinta senhoura trocando id�ia com uma garota moderninha que falava desesperadamente se gabando de que adorava ler e que tinha montando um grupo de estudos de literatura e bl� bl� bl�. ela queria um trampo, l�gico.
peguei, paguei e voltei, com o carro amassado, mas com livro na m�o.
t�tulo: �clockwork orange�
autor: anthony burgess
raridade: 3� edi��o, de 1972
ontem, ainda resolvi ligar pro �ltimo sebo que faltava da minha lista e achei outro �laranja mec�nica�. igualzinho. mesma edi��o.
algu�m ganhou um livro.
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