eu sou um p�ra-raio de louco. n�o � sempre, mas quando acontece � inesquec�vel. teve uma �poca que era praticamente um maluco por dia pra me alugar enquanto eu esperava meus �nibus. eles apareciam, despejavam sua sandices em cima de mim e desapareciam pra nunca mais voltar. s� que essa semana eu reencontrei um desses doidinhos.
o velho, o carro e deus
h� uns seis meses, estava eu quietinho aguardando meu �nibus no ponto quando se aproxima um senhor falante com sotaque nordestino, careca, gordinho e baixinho.
ele: � menino, j� passou o jardim n�o sei o qu�?
deds: n�o, ainda n�o.
ele: ser� que vai demorar?
deds: a� eu j� n�o sei.
ele: se demorar eu vou embora a�p�.
deds: e o senhor mora longe?
ele: ih, meu filho, eu moro na pqp, vira a esquerda.
Claro que ele n�o disse isso, mas foi algo assim.
deds: e o senhor n�o cansa?
ele: cans�, cansa, n�. s� que a gente que � pobre tem que fazer do jeito que d�, n�.
deds: �.
A� ele come�ou contar que j� voltou a p� outras vezes, e etc.
Conversa vai, conversa vem. N�o sei como e nem porque ele eleva a conversa para temas div�nicos.
ele: mas olhe, menino. nunca pe�a pra Deus te mandar um carro, viu.
deds: ah, �. e por que n�o?
ele: porque se Deus mandar l� de cima voc� n�o vai conseguir segurar!
deds: HAHAHAHAHAHAHA!
Eu me esborracho de rir na frente dele.
ele: e verdade?
deds: pior � que �.
ele: voc� tem que pedir pra Ele te dar trabalho, juntar dinheiro e poder comprar. Ih, l� vem ele. Fica com Deus, menino.
E ontem ele estava l� de novo, gordinho, careca, baixinho e falante. S� que dessa vez ele alugou um cara que n�o dava a m�nimo pra ele. E eu continuei esperando meu �nibus que n�o chegava nunca. Qualquer dia eu volto os 15 quil�metros que separam minha casa do trampo a p�.
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