mas ele morreu de verdade
sabe o papa, aquele velhinho careca, chato, que n�o fala direito e vive com a cabe�a ca�da? ent�o, ele morreu. aquela imagem est�tica que vez ou outra aparece em p�blico se mexendo como um boneco de ventr�loquo � realmente um boneco de ventr�loquo. eu vou contar a verdade.
h� alguns anos fui enviado � it�lia com uma miss�o especial: kill the papa. recebi as ordens da miss�o em um envelope com uma passagem de ida, ao longo da viagem ficaria sabendo de outras informa��es importantes, como sempre.
a viagem foi tranq�ila. s� uma agente disfar�ada de aeromo�a tentou me matar durante o v�o, dei o troco e enfoquei a mo�a com uma corrente de canudinhos. enquanto ela tentava me esfaquear, eu me defendia com os p�s. com as m�o pegava os canudinhos que achei num arm�rio no fundo do avi�o e ia colocando um canudinho dentro do outro. morreu enforcada pouco antes do avi�o pousar, coitada.
nem precisei ir para o hotel. a maior surpresa foi encontrar gis.1 no sagu�o do aeroporto. ela ficaria no controle operacional da opera��o, me pelo r�dio todos os passos do papa. eu teria que matar o papa do meio da multid�o.
coloquei um dos meus disfarces e fui � luta. eu era um vendedor ambulante, tipo camel�, vestido de palha�o. imposs�vel me reconhecer, garanto. fui atravessando aquela multid�o de fi�is enlouquecidos gritando �pa-pa...pa-pa...pa-pa...� e nada do velhinho aparecer na sacada. mas at� que eu estava vendendo bem. crian�a adora algod�o-doce. de repente, aquele som ensurdecedor de torcida de futebol vendo o time entrar em campo tomou conta do lugar. �aaaa�����������������. pa-pa pa-pa pa-pa�
gis.1 (pelo r�dio): o bicho pap�o acordou
ok. era meu sinal. ali do meio da multid�o olhei l� pra frente e s� vi uma m�ozinha raqu�tica e tremulante sendo levantada. um sil�ncio mortal abafou a voz do povo. todo mundo ficou quieto.
gis.1 (pelo r�dio): acaba com ele.
s� ouvi uma voz de rasgar a garganta vindo do fundo da alma de algu�m que estava l� na frente. �papa, i love youuuuuu�. foi uma senhora de uns 70 anos, vestida de preto e com uma redinha tipo saco de lim�o na cabe�a. todo mundo olhou pra ela, eu tamb�m.
gis.1 (pelo r�dio): o que foi isso? acaba logo com ele, caceta.
era imposs�vel se mover diante da cena que se seguiu. em c�mera lenta, o papa fez um biquinho rid�culo e mandou um beijo pra velhinha, que pegou no ar e colocou dentro da blusa. um nojo de t�o rom�ntico e ca�tico.
gis.1 (pelo r�dio): bl�rg, i�ca, cusp, cusp. arg.
hora da a��o. mirei, apontei, atirei. e n�o � que justo nesse momento o papa teve um tro�o? sabe-se l� porque cargas d��gua o pesco�o dele falhou e a cabe�a tombou pra nunca mais ficar ereta. e foi o que salvou o bicho pap�o. o tiro acertou o saco do bispo que estava de p� atr�s dele. o cara s� arregalou o olho e caiu duro pra dentro dos aposentos papais. a religi�o ali cegou tanto aquele povo que ningu�m viu nada.
gis.1 (pelo r�dio): � cabe��o. voc� errou. agora, sai da� que j� est�o te ca�ando.
os seguran�as papais disfar�ados de carolas come�aram a procurar pessoas estranhas no meio da multid�o. era minha deixa. corri para o fundo da multid�o, que ainda estava hipnotizada com a presen�a do papa, e consegui chegar at� o carro que haviam preparado para minha fuga. uma bmw z4 novinha. enquanto dirigia e tirava o disfarce, vi que no porta-luvas estava minha passagem de volta, como sempre.
eu e gis.1 s� nos encontramos em casa. foi tudo t�o r�pido que ningu�m nem ficou sabendo da viagem. dias depois, um de nossos espi�es disfar�ados de freira (que ali�s est�o espalhados por todo o mundo. sabia que quase toda freira � um homem espi�o disfar�ado? por que voc� acha que elas vivem com as duas m�os na frente do saco quando est�o paradas? � para ovolume n�o aparecer) ent�o, um de nossos espi�es contou que horas depois o papa soube que seu pimpolho preferido morreu com um tiro nos bagos e acabou sofrendo uma s�rie de convuls�es, batendo a cabe�a na parede e morrendo. os bispos empalharam e transformaram o papa num boneco de ventr�loquo at� escolherem o pr�ximo papa.
prova do crime
p.s. antes que algu�m pergunte, eu n�o usei uma arma convencional e n�o posso falar sobre isso, est� no contrato, ali�s, eu tamb�m n�o escrevi sobre isso e voc� tamb�m n�o leu nada disso. e estamos conversados.
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